É possível ser mãe e crescer profissionalmente?

Enviada em 29 de outubro de 2009 · Tuite esta matéria

Embora muitas decidam por um lado ou outro, há quem fique na linha do meio, conciliando os dois papéis

Existem mulheres que nasceram para ser mães. Nada muda isso. Outras nem querem saber do assunto: preferem a carreira. Cruel? Não, esta é apenas uma opção de vida. Conversamos com algumas para descobrir o motivo por trás dessas escolhas. Veja o que descobrimos.

Ser mãe em sua plenitude
“Assim que engravidei larguei tudo e fui curtir a minha maternidade. Filho depende da gente, não dá para trabalhar e pagar uma pessoa para cuidar deles. Não é a mesma coisa”, comenta A. S.*, de 33 anos, administradora de empresas. “Educação vem dos pais. Hoje, 3 anos mais tarde, não me arrependo de nada. Depois eu retomo minha carreira.”

Mas nem sempre a opção por ficar em casa, como mãe em tempo integral, decorre das preocupações com a educação. A publicitária R. D.*, de 29 anos, deixou o emprego de lado e virou dona-de-casa por conta da saúde da filha. “Bianca nasceu com um problema congênito e precisa de atenção 24 horas por dia. Não sei quanto tempo ela tem de vida e não quero desperdiçar esses momentos correndo atrás de minha profissão”, relata, emocionada.

Inúmeros podem ser os motivos que levam a anular a vida profissional e viver a maternidade. “Por estarmos relativamente perto das gerações em que o cuidado da casa e dos filhos era a ocupação principal da mulher, ainda carregamos lá no fundo este modelo”, argumenta a psicoterapeuta Cecília Coimbra de Toledo Lara.

“Quando surge a necessidade da coexistência de maternidade e carreira, muitas são acometidas por sentimentos de culpa, pois de forma inconsciente temem estar se desviando daquele padrão, no qual ser mãe se sobrepõe a qualquer outra atividade”, explica ela.

Dividindo as tarefas
Mãe, mulher e profissional. Conciliar nem sempre é fácil. Mas a escritora Marleine Cohen, autora do livro “Como escalar montanhas de salto alto?” (Ed. Saraiva), garante que é possível. Hoje Marleine é uma expert no assunto, porém, já sentiu na pele o que é dividir o tempo entre filho e trabalho. “Eu tive muitas dificuldades. Na época trabalhava em um grande jornal, tinha plantão em finais de semana e feriados e precisava deixar meu filho com meus pais.”

Sentimentos de culpa e ao mesmo tempo a perspectiva de virar dona de casa para o resto da vida faz com que muitas voltem a trabalhar logo após terminar o período da licença maternidade. “Na segunda gravidez larguei o ritmo alucinado e arrumei um emprego mais calmo, sem plantões e que tinha uma creche no local”, conta Marleine.

Com a modernidade e até mesmo a internet surgiu um novo tipo de escritório: o home Office, o conceito de trabalhar a partir de casa. Essa facilidade agradou também às mulheres que desejam ser mães. “Há três anos optei por este esquema de trabalho e isso ajuda muito, pois tenho flexibilidade de horários. A chegada de minha filha não mudou nada na minha rotina de trabalho”, comenta a jornalista Keyla Assunção, de 31 anos. “Muitas vezes, estou no computador e minha filha está sentada no meu colo, já querendo colocar os dedinhos no teclado. Tudo é uma questão de organização”, diz.

Conciliar a carreira com a maternidade é uma situação comum nos dias de hoje. “Nas últimas décadas a mulher vem conquistando o seu espaço no mercado de trabalho. Os horizontes foram se ampliando e dando origem a um panorama bem diferente daquele que se via no tempo de nossas avós. Entretanto, a construção de uma carreira não é a única faceta da vida de uma pessoa. Há outros setores que também demandam atenção, como as relações interpessoais, afetivas e a maternidade. O ideal é que haja equilíbrio entre eles”, argumenta a psicoterapeuta.

Na contramão
“Há ainda o caso de mulheres que são alvos de críticas do restante da família que, respaldada no antigo modelo, não aceita que a vivência da maternidade tenha que competir com a carreira profissional”, acrescenta Cecília Lara.

S. H.*, de 30 anos é casada há cinco anos e nem pensa em engravidar. “Eu e meu marido já decidimos: não queremos filhos. Ele é médico assim como eu e isso só iria atrapalhar a nossa carreira. Nunca me imaginei sendo mãe e acho que não seria uma boa mãe. Prefiro crescer profissionalmente”.

Já a advogada M.A.*, de 28 anos, acredita que depende da situação. “Quero acima de tudo ser bem sucedida na minha carreira. Só terei filho e trabalharei ao mesmo tempo se o dinheiro que ganhar compensar. Do contrário, fico com minha profissão”, sentencia.

* Os nomes foram omitidos a pedido das entrevistadas

Fonte IG ( Por Katia Deutner )

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